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Quem está sozinho é um eu infantil solitário

Não é você que se sente sozinho!


Nos grupos de Constelação e Expressão da Criança que já facilitei tanto presencial quanto online. Sempre aparece nos desenhos e nas dinâmicas sistêmicas e expressivas, uma criança sozinha, escondida e ou oprimida. Ela já apareceu debaixo da mesa, no quarto trancada, escondida no banheiro, isolada na escola, dentro do armário... Este eu infantil machucado e sozinho ainda vive dentro de você, mas pode ser cuidado e transformado. Afinal ele só precisa do amor que esperou e na sua perspectiva não recebeu.


👉O sentimento e medo da solidão muitas vezes, é o eco de uma infância em que nos sentimos desamparados, não vistos ou distantes de quem deveria nos oferecer amor e segurança.


Quando crianças, nossa existência depende do olhar do outro. Precisamos de atenção, acolhimento e vínculo para construir a sensação de pertencimento e segurança no mundo. Afinal somos mamíferos, mas, se em algum momento da infância nos sentimos rejeitados, abandonados ou emocionalmente negligenciados, essa experiência fica registrada em nosso corpo e na nossa psique. Observem que existem casos de real negligência e abandono e casos de momentos de negligência ou movimento interrompido que pode causar este sentimento na criança.


A questão é que esta sensação e sentimentos da infância sobrevivem internamente no adulto como um "eu infantil". Ele se manifesta sempre que nos percebemos isolados, ansiosos ou com medo de não sermos amados. A solidão que sentimos hoje pode ser apenas um reflexo dessa criança interior que ainda aguarda ser reconhecida e acolhida.


👉O Medo da Solidão e os Traumas do Desenvolvimento


Os primeiros anos de vida são essenciais para a construção da nossa capacidade de nos sentirmos seguros e conectados. Quando as necessidades emocionais da criança não são atendidas de forma consistente, ela pode desenvolver uma ferida de abandono que se carrega até a vida adulta. Essa ferida pode surgir de diversas formas:


Falta de presença emocional dos cuidadores, mesmo que fisicamente presentes;

Episódios de rejeição, humilhação ou falta de acolhimento das emoções;

Separações abruptas ou mudanças que a criança não conseguiu elaborar;

Crescer sem a certeza de que suas necessidades emocionais seriam respeitadas.


Essas experiências deixam marcas profundas, tornando-se padrões inconscientes que se repetem na vida adulta. Podemos evitar a solidão a todo custo, buscando validação constante ou entrando em relações onde aceitamos menos do que merecemos, apenas para não reviver o vazio da infância.

A Relação Entre Mente, Corpo e Alma na Cura da Solidão


👉A verdadeira transformação acontece quando integramos mente, corpo e alma no processo de cura. Nenhuma dessas dimensões pode ser ignorada, pois o trauma da solidão se manifesta em todas elas:


🧠Na mente, como crenças negativas sobre si mesmo, padrões inconscientes e autossabotagem;

👣No corpo, como tensões, ansiedade, dificuldade de relaxar e bloqueios emocionais somatizados;

💫Na alma, como um sentimento profundo de desconexão, vazio e falta de pertencimento.


Para curar a solidão, precisamos abordar essas camadas de maneira integrada.


🧠Psicanálise: Nomeando o Sofrimento e Compreendendo Padrões


Na teoria de Jacques Lacan, o sujeito se constitui a partir da relação com o Outro – esse Outro pode ser os pais, os cuidadores ou qualquer figura fundamental na infância. O bebê precisa do olhar do outro para validar sua existência. Quando esse olhar é ausente ou rejeitador, cresce-se com uma sensação de falta, buscando preencher esse vazio na vida adulta.


A psicanálise nos ajuda a:

🔹 Identificar como o medo da solidão se formou na infância;

🔹 Compreender padrões repetitivos em nossas relações;

🔹 Romper a dependência do olhar do Outro e fortalecer a autonomia emocional.


💫Constelação Familiar: Liberando os Emaranhamentos do Sistema


A Constelação Familiar, desenvolvida por Bert Hellinger, revela que muitas vezes a solidão não pertence apenas a nós, mas é um reflexo de emaranhamentos sistêmicos. Situações não resolvidas dentro do sistema familiar – como exclusões, segredos ou histórias de abandono – podem ser carregadas por gerações.


A constelação nos auxilia a:

🔹 Identificar lealdades inconscientes que nos prendem a padrões de solidão;

🔹 Reconciliar-se com figuras parentais e restaurar o fluxo do amor no sistema;

🔹 Assumir nosso lugar na vida sem carregar pesos que não nos pertencem.


👣Experiência Somática: Liberando o Trauma do Corpo


O trauma não fica apenas na mente – ele se registra no corpo. Peter Levine, criador da Somatic Experiencing, demonstrou que a resposta ao trauma pode ficar congelada no sistema nervoso, mantendo o corpo em um estado constante de hiperalerta ou dissociação.


A Experiência Somática nos ajuda a:

🔹 Acessar e regular o sistema nervoso, reduzindo ansiedade e hiperativação;

🔹 Liberar sensações físicas de medo e tensão relacionadas à solidão;

🔹 Reconectar-se com o próprio corpo, restaurando a segurança interna.


👉A Jornada de Cura: Do Isolamento à Reconexão


A solidão não é apenas uma circunstância externa – é uma experiência interna profundamente enraizada


Para curar essa ferida, é essencial:

✔ Trazer consciência à mente (psicanálise), compreendendo a origem desse medo e os padrões que ele gera;

✔ Liberar o corpo do trauma (experiência somática), permitindo que ele volte a sentir segurança e conexão;

✔ Reorganizar os laços familiares inconscientes (constelação familiar), liberando emaranhamentos e restaurando o fluxo do amor.


A cura acontece quando o adulto que somos hoje se torna capaz de olhar para a criança que fomos, oferecer a ela o que faltou e permitir que ela finalmente descanse.


A solidão não precisa ser um abismo assustador. Ela pode ser um portal para o reencontro consigo mesmo, onde mente, corpo e alma se alinham para que possamos viver com mais leveza, segurança e pertencimento.


Fernanda Oliva

Terapeuta do corpo, mente e alma.





 
 
 

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